sábado, 21 de agosto de 2010

A Peste – Albert Camus

Albert Camus escolhe a cidade de Oran, confinada entre o mar e as portas cerradas, para simbolizar a ocupação nazista na França. A doença disseminada pelos ratos que saiam dos esgotos, dos porões e das fábricas invade a cidade, contamina a população e obriga os seus dirigentes a aguardarem, pacientemente, o fim do processo dominador. Uma espécie de atitude de inferioridade que o ser humano assume quando se depara com determinadas situações. A cidade que serve de palco para a história é finita apesar do horizonte marítimo. Os seus limites físicos servem para simbolizar a impotência em relação ao poderio armamentista da Alemanha na Segunda Guerra Mundial.

A peste bubônica ataca a cidade e mata, diariamente, um número razoável de concidadãos, como se refere o autor, tempo em que os vivos, sem saber quando serão escolhidos pela peste, aguardam pacientemente e ordeiramente o destino, restando-lhes, apenas, a prática da solidariedade.
O relato simbólico da peste foca as relações pessoais, a amizade não declarada, a prática do bem, o questionamento de valores religiosos, a família, o sofrimento taciturno e introvertido, a separação amorosa, e os privilégios das classes sociais mais poderosas.
A peste atacou bons e maus, adultos e crianças, religiosos e ateus. Não se sabia o antídoto da defesa, por isso, submeteram-se a imposição. O remédio veio com o tempo. O soro da liberdade foi anunciado com veemência e recebido pela população com alegria e festejo. A fraternidade foi exercitada durante todo processo simbólico, contudo, a desigualdade se apresentou na forma de acesso aos gêneros alimentícios, nas quarentenas e, ao que parece, apesar do sofrimento não remeteu a mudanças significativas.

A Peste é um livro fantástico. Mostra a mudança de valores quando o ser humano é submetido a situações de impotência. O que parece importante deixa de ser e o coletivo passa a tomar corpo em detrimento do individual. Os pecadores podem ser aceitos e os santos renegados. A Peste conduz o leitor a experimentar situações que lembra fatos políticos ocorridos no mundo, não só, na simbologia da Segunda Guerra Mundial, mas, também, nos Estados autoritários experimentados na Europa, na Ásia, e nas Américas.

A analogia entre a impotência humana sob a epidemia e a exclusão da liberdade é a trama escolhida para despertar as agruras da humanidade. O autor exige uma moral simultânea de conhecimento da necessidade e o exercício de poder: "Na realidade, um homem deve lutar pelas vítimas. Mas, se deixa de gostar de todo o resto, de que serve lutar?"

Informações sobre o autor - Albert Camus, foi escritor e filósofo, nasceu na Argélia e viveu sob o signo da guerra, da fome e da miséria. Morreu em acidente de carro em 1960. Juntamente com Jean-Paul Sartre foi um dos principais representantes do existencialismo francês. Camus afirma que as pessoas procuram incessantemente o sentido da existência numa vida que carece de sentido e na qual só é possível ganhar a liberdade e a felicidade com a rebelião. Escreveu O Mito de Sísifo (1942), O Estrangeiro (1942), A Peste (1947), O Estado de Sítio (1948), Os Justos (1949). Foi-lhe atribuído o Prêmio Nobel da Literatura em 1957.

Referência bibliográfica
Camus, Albert, 1913-1960
A peste / Albert Camus; tradução de Valerie Rumjanek Chaves. - 18ª Ed. – Rio de Janeiro: Record, 2009.
218p.
Tradução de: La peste
ISBN 987-85-01-01487-0
Romance francês. I. Chaves, Valerie Rumjanek.II.Título

2 comentários:

  1. Voce esta escrevendo de uma forma excelente....o compacto apresentado foi de um simplicidade mas com conteúdo permitindo a compreensão do texto contido no livro....
    Parabéns. Dá gosto ler seus textos.

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  2. Camus em ''A Peste'' deixa para nós um exemplo de reflexão em relação à vida,ao bem e ao amor que devemos ter uns pelos outros reencarnando essa ideia no personagem principal:o médico Bernard Rieux e o seu amigo durante a conversa que ambos tem no terraço de uma casa onde diante de toda a angústia e degradação que a peste causa existe sim uma esperança por salvação no caso também não só da cidade de Oran mas também da alma humana.Muito recomendada a obra!!!Obrigado Camus!!

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